Nesta sexta, 26, o Giro do Boi exibiu mais um capítulo da série especial Embrapa em Ação, desta vez levando ao ar entrevista com o pesquisador da Embrapa Gado de Corte Flábio Ribeiro de Araújo, médico veterinário, mestre e doutor em imunologia. Os focos da conversa foram os perigos e a prevenção da tuberculose, uma doença séria que tem programa de controle e erradicação específico no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

“A tuberculose tem duas facetas. Uma afeta a produtividade do animal e também tem a faceta da doença que é problema de saúde pública. Ela afeta a saúde pública porque é uma zoonose, ou seja, é transmissível de animais para o homem”, afirmou Araújo.

O artigo “Sintomas, prejuízos e medidas preventivas sobre tuberculose bovina”, publicado pela Embrapa em 2014, resume a doença da seguinte forma:

“A tuberculose bovina é uma doença causada por Mycobacterium bovis que afeta, principalmente, bovinos e búfalos. Ela se torna crônica nos animais e é transmissível para o homem. Nos bovinos, a doença causa lesões em diversos órgãos e tecidos, como pulmões, fígado, baço e até nas carcaças. Podem ser encontradas também lesões no úbere das vacas. Dependendo da fase da infecção, os animais podem exibir emagrecimento acentuado e tosse, mas, muitas vezes, as alterações da tuberculose não são perceptíveis aos produtores”.

Flábio confirmou que não há tratamento para a doença, que é facilmente transmissível pelo ar entre indivíduos do rebanho e de animais silvestres para o bovino. Uma vez que é detectado um animal infectado, a solução é o abate sanitário ou sacrifício. Para erradicar, ou controlar a doença em sua propriedade, há uma única solução: testar todos os animais que entram em sua porteira.

De acordo com o mesmo artigo publicado pela Embrapa, as recomendações aos produtores são:

• Não existe vacina nem tratamento para a tuberculose bovina, portanto a prevenção da entrada da doença é a chave do controle.

• O produtor deve ter o cuidado de adquirir apenas animais negativos ao teste intradérmico para tuberculose. Quando os animais não tiverem esse teste, o produtor deve solicitar o exame a um médico veterinário habilitado antes de realizar a compra.

• Controle da tuberculose bovina mediante a normativa do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal, com a identificação e eliminação de animais infectados.

• Em propriedades em que for diagnosticada a tuberculose, o proprietário deve fazer o teste nos animais, mediante um médico veterinário habilitado, o qual efetuará a marcação a ferro candente no lado direito da cara dos animais positivos com um “P”, a notificação à defesa sanitária e o descarte dos mesmos, em até 30 dias, segundo a legislação vigente, em estabelecimento sob serviço de inspeção oficial, indicado pelo serviço de defesa oficial federal ou estadual.

Acesse aqui o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal – PNCEBT

“A estratégia de controle da tuberculose é prevenir, evitar a entrada animais infectados no rebanho”, confirmou Flábio. Desta forma, cuidados com animais de reposição, adquiridos em leilões e vindos de propriedade sem certificação de controle. “Ao comprar animais sem essa preocupação o pecuarista tem um risco altíssimo de trazer doença pro seu rebanho”, alertou.

Embrapa alerta: pecuarista precisa fechar a porteira para a tuberculose bovina